Ensino Fundamental
Sala de Aula
Geometria e a arte de Tarsila do Amaral
Organizado por: Cristiane Chica – coordenadora do Nutec
Idade recomendada: A partir de 9 anos
Objetivos:
  • Conhecer, comparar e identificar sólidos geométricos;
  • Estabelecer relações entre figuras espaciais e suas representações no plano;
  • Desenvolver habilidades de percepção visual e espacial e a utilização de instrumentos para desenhar sólidos geométricos
Primeira etapa:
PARA COMEÇAR

Professor, reproduza a obra Calmaria II (1929), de Tarsila do Amaral, em tamanho adequado para que todos os alunos possam observá-la.

Organize a classe em roda de modo que os alunos possam discutir suas percepções diante do quadro. Comece perguntando se alguém conhece a obra. Conte que a pintora é brasileira, nasceu em 1886, em Capivari, interior de São Paulo. Mergulhe um pouquinho na história da arte dizendo que a artista renovou a pintura brasileira ao usar cores e formas e deixou marcado o mais autêntico sentimento nacionalista. Você pode dar algumas informações e referências bibliográficas para aqueles que desejam saber mais sobre a artista, mas tome cuidado para não perder de vista seus objetivos.

É importante que neste momento você chame atenção de todos para:

  • as cores: como a pintora as usa; os efeitos que ela consegue criar; a impressão que elas nos dão...
  • as formas: os sólidos geométricos que aparecem na pintura; eles são iguais; os que estão atrás causam quais impressões...
  • outros recursos usados pela pintora para termos a sensação de “calmaria”.

Prepare um painel com os tópicos importantes que surgirem durante a discussão. Esse painel deve ficar afixado na classe para consultas durante o desenvolvimento das atividades.

Segunda etapa:
CONSTRUINDO
SÓLIDOS
GEOMÉTRICOS

Divida a classe em grupos de 4 alunos, distribua um conjunto de formas geométricas diferentes para cada um (veja link abaixo).

Cada conjunto é composto de figuras que representam as faces de um dos sólidos geométricos que aparecem na obra: pirâmide de base quadrada, pirâmide de base triangular e paralelepípedo. Mas não diga isso a eles.

formas geométricas dos sólidos

Peça que abram seus envelopes e descubram qual sólido geométrico que aparece na obra de Tarsila pode ser formado com as figuras que receberam. Assim que descobrirem, proponha que, usando uma fita adesiva transparente, montem o sólido geométrico.

Promova uma conversa na sala, de forma que os alunos explicitem como descobriram de qual sólido se trata, o que fizeram para obtê-lo, se basta juntar as figuras de qualquer forma. Guarde esses sólidos, pois serão utilizados na quarta etapa desta seqüência didática.

Terceira etapa:
Conhecendo planificações:

Organize a sala novamente em grupos e solicite que todos os grupos montem um paralelepípedo (veja link a seguir) com as figuras dadas, usando a fita adesiva transparente.

figuras que formam um paralelepípedo

Após a montagem do sólido, cada grupo abrirá o sólido retirando algumas fitas adesivas de modo a formar uma planificação. Nesse momento é possível discutir com os alunos se nas planificações obtidas:

  • foram usadas todas as figuras necessárias para a composição do sólido;
  • todas figuras estão presas umas às outras por pelo menos um lado, nunca pelas pontas.

Peça que um aluno cole sua planificação em um cartaz e desafie os demais grupos a conseguir planificações diferentes.

Nesse mesmo cartaz, escreva ao lado das planificações os nomes das figuras planas que nele apareceram. É um bom momento para explicar que nos sólidos essas figuras são chamadas de faces. Nesse caso, o paralelepípedo possui 6 faces.

Quarta etapa:
O que são faces, vértices
e arestas?

Retome os sólidos produzidos pelos grupos na etapa 2 e peça que os alunos identifiquem em cada um deles o número de faces e realizem um registro contendo o nome do sólido e o desenho de cada uma das faces que o compõe.

Informe aos alunos que também podemos identificar outros elementos em um sólido geométrico, como os vértices e as arestas. Explique que a aresta é um segmento de reta formado no encontro de duas faces. Incentive-os a encontrar as arestas em seus sólidos geométricos e dizer quantas possuem.

Pergunte se alguém sabe o nome que é dado em matemática para as pontas dos sólidos. Caso não saibam, diga que chamamos de vértice. Vértice é o ponto onde duas ou mais arestas se encontram. Peça que anotem quantos vértices possui o seu sólido geométrico.

Os alunos poderão desenhar seu sólido, destacar os elementos faces, vértices e arestas e anotar suas respectivas quantidades. Monte um cartaz com os desenhos produzidos e uma tabela com todas as informações obtidas com esta atividade.

Quinta etapa:
Organizando
o trabalho:
Converse com os alunos sobre as atividades de geometria feitas até aqui e peça que, em duplas e consultando os cartazes feitos nas aulas anteriores, escrevam um texto contando o que aprenderam até agora. Você pode escolher o estilo do texto que desejar: uma carta, uma história em quadrinhos, uma poesia; enfim, tenha o cuidado de deixar claro o tipo de texto e certifique-se de que eles saibam as suas características. Por exemplo, as poesias têm uma estrutura diferente de uma carta. O que vocês sabem sobre um texto que é uma poesia? Tem um título?...
Sexta etapa:
Ampliando o olhar:

Proponha algumas atividades que permitam aos alunos comparar sólidos geométricos e relacioná-los a formas presentes no cotidiano, como a proposta a seguir:

1. Complete a tabela escrevendo todas as diferenças e semelhanças que você observa em uma pirâmide de base quadrada e um cubo (é importante que eles tenham estes sólidos à disposição para consultá-los quando acharem necessário):

  Cubo Pirâmide de base quadrada
Semelhanças    
Diferenças    
Sétima etapa:
Um novo olhar
para a obra da Tarsila do Amaral

Volte para a obra da Tarsila do Amaral e peça que cada aluno faça a sua releitura da obra; o que não significa necessariamente uma cópia, mas as impressões, sensações e inspirações baseadas na obra.

Explique que os artistas, antes de realizarem suas pinturas, fazem um esboço, que são espécies de rascunhos, de ensaio para fazer o quadro final. No esboço, eles podem ver erros e consertá-los, fazer testes de cores. Antes de fazer o esboço, retome com seus alunos aquelas observações iniciais em que cada um falou sobre as cores usadas no quadro, que impressões elas causam... Discuta com eles: como fazer para que os sólidos sejam desenhados no papel e causem a impressão de profundidade? Faça testes com esses desenhos e, se preciso, use uma malha pontilhada para os primeiros esboços.

É importante que a obra da pintora esteja sempre presente neste momento, para que os alunos possam fazer comparações entre a produção de cada um e a dela.

Finalmente, cada aluno produz seu quadro. Exponha-os na escola e valorize o trabalho realizado por todo o grupo.

Para saber mais:
  • Figuras e formas – Kátia Stocco Smole, Maria Ignez Diniz, Patrícia Cândido. ArtMed, 2003
  • Formas num mundo de formas. Suzana Laino Cândido. Editora Moderna, 80 páginas, 1ª edição 1997.