Sala de Aula
A elaboração de jogos pelos alunos
Kátia Stocco Smole - Coordenadora do Mathema
Números e linguagem

leitura e produção de textos instrucionais (regras de jogo); resolução de problemas, contagem, leitura e escrita de números, noções de adição e subtração.

jogos de tabuleiro como os de percurso ou jogo da velha; papelão, cartolina, caneta hidrocor, tesoura, cola, pincel atômico, papel branco.
Elaborar jogos é uma proposta interessante de ser desenvolvida com alunos da escola infantil, pois com atividades desse tipo eles aprendem a fazer antecipações e planejamento, a se organizarem para realizar ações de modo mais independente, a estarem mais abertos às proposições e considerações de outras pessoas, a buscar consenso, a serem exigentes, a levarem uma tarefa até o fim, a terem confiança em si sabendo que podem planejar e fazer algo, avaliar seu percurso entre tantas outras coisas. São aprendizagens que transcendem um conhecimento específico passando para a esfera dos afetos, das relações sociais, da auto-estima e, porque não, da autonomia.

Fase preliminar: A elaboração de jogos com os alunos envolve o planejamento de uma seqüência didática tal que o jogo construído seja a etapa final de um processo e não um fim em si mesmo. Não se trata de uma seqüência curta, exige a clareza das metas de ensino e aprendizagem e o envolvimento dos alunos em situações de planejamento e avaliação das ações e percursos por eles empreendidos.
Antes de propor que os alunos criem jogos é recomendável que estabeleçamos na sala de aula um ambiente no qual eles convivam freqüentemente com os jogos, quer em situações mais livres ou em outras mais dirigidas.

1ª etapa: Escolha o tipo de jogo que deseja produzir com seus alunos. Se for a primeira vez que fazem uma atividade desse tipo dê preferência a jogos conhecidos como os de percurso ou outros que tenham poucas regras.

2ª etapa: Proponha que joguem o jogo escolhido algumas vezes. Uma boa exploração do jogo - uma vez por semana, durante 4 semanas - auxilia os alunos a perceberem as características do jogo, perceberem as regras, aprenderem matemática e, então, criar os seus próprios jogos.

3ª etapa: com os alunos organizados em grupos prepare a elaboração dos jogos discutindo com eles como fazer, qual material utilizar, como planejam trabalhar juntos. Essa etapa não é fácil para os alunos da Educação Infantil. Em um primeiro momento o impulso que eles têm é de cada um fazer o seu.
Leva um certo tempo para que percebam que se não conversarem, se não ouvirem uns aos outros, se não planejarem uma ação conjunta o jogo não sai, uma vez que não há material para todos individualmente. Esse momento de conflito mediado pela ação da professora auxilia o processo de organização e a expressão oral ganha importância pois expressar idéias, defender pontos de vista, negociar e fazer concessões são ações que passam a fazer parte do jogo e de sua elaboração.

4ª etapa: Desde quando começam a planejar seu próprio jogo é interessante que os alunos saibam que não o farão apenas para eles mesmos, isso porque acreditamos que quando os textos escritos pelos alunos tomam parte de um processo no qual haverá muitos leitores em potencial, passam a ser muito mais cuidadosos, a se preocuparem com a compreensão de suas idéias e com a clareza das informações que apresentam.
Antes de produzir um jogo com os alunos a professora discute quem poderá jogar o jogo que eles criarem, fazem um "rascunho do jogo" e uma primeira escrita das regras e, para experimentar, jogam com os outros. Após essa jogada organizamos uma roda de discussão onde as impressões sobre o jogo são trocadas entre autores e jogadores para os acertos finais. Às vezes, dependendo da turma e das necessidades esse processo é realizado mais que uma vez.

5ª etapa: finalizar o jogo e jogá-lo com as pessoas para as quais ele foi planejado (colegas da classe; colegas de outras classes; pais, etc)

Smole, Kátia S. - A elaboracao de jogos e o desenvolvimento de múltiplas linguagens pela criança. Porto Alegre: Artmed,

Revista Pátio educacao Infantil, ano I, no 2, agosto e novembro de 2003, pp. 36-39.

Teberosky, Ana e Colomer, Teresa. Aprender a ler e escrever: uma proposta construtivista. Porto Alegre: Artmed: 2003