Matéria de Estudo
Inteligências Múltiplas
  A Teoria das Inteligências Múltiplas e a formação do cidadão do século XXI
Kátia Cristina Stocco Smole - Coordenadora do Mathema.
  O significado de inteligência tem sido, ao longo do tempo, motivo de estudo de psicólogos, filósofos, neurologistas, pedagogos e pesquisadores da ciência cognitiva.
Esse interesse em pesquisar sobre a inteligência gerou diferentes concepções acerca da sua origem e do seu desenvolvimento nos indivíduos e, mais que isso, diferentes investidas no sentido de definí-la. Para alguns estudiosos, a inteligência estaria determinada por fatores genéticos, hereditários, que uma vez estabelecidos poderiam ser pouco modificados pelas interferências do meio no qual o indivíduo vive. Para outros pesquisadores, ela dependeria fortemente do meio social para desenvolver-se.

Durante muito tempo, a concepção hegemônica de inteligência foi, e talvez ainda seja, a de uma grandeza passível de medição. Por essa ótica, a inteligência pode ser quantificada através de testes especialmente preparados para isso. Baseados em questões de caráter lógico-matemático e lingüístico, tais testes mediriam o quociente de inteligência, o conhecido QI, de um indivíduo e determinariam sua capacidade intelectual.

Desde os primeiros testes idealizados em 1908 por Binet até hoje, algumas versões desse tipo de instrumento foram sendo elaboradas e utilizadas com diferentes finalidades, entre elas, justificar fracassos escolares, avaliar candidatos a empregos, justificar determinados comportamentos sociais.

A idéia original dos trabalhos de Binet e seus colaboradores não foi testar a inteligência, mas identificar alunos que tinham problemas para aprender e ajudá-los a melhorar, sem atribuir a eles um rótulo e lhes impor limites, qualquer que fosse a causa do mau desempenho escolar. No entanto, quando as notícias dos primeiros testes de inteligência chegaram à comunidade científica, especialmente nos Estados Unidos, alguns psicólogos e educadores vislumbraram nos testes um enorme potencial para avaliar e comparar pessoas, e não demorou muito para que se manifestasse entre eles e na sociedade como um todo, o entusiasmo pela testagem da inteligência.
A falsa medida do homem Gould em seu livro, afirma que as intenções de alguns pesquisadores ao usar os testes eram boas, mas que na maioria das vezes eles foram utilizados de maneira estigmatizante, para rotular e posicionar pessoas e fazer julgamentos sobre suas limitações. O uso dos testes de QI caminhou junto com a crença de que as forças intelectuais eram herdadas e de que a inteligência seria uma capacidade singular e inviolável, uma propriedade especial dos seres humanos. Nessa perspectiva, cada indivíduo nasceria com uma determinada quantidade de inteligência, o que permitiria a elaboração de testes para qualificar e classificar pessoas em termos de seu intelecto.
Essa concepção ainda aparece muito fortemente entre nós e mesmo nos dias atuais não hesitamos em falar sobre pessoas mais ou menos inteligentes, mais ou menos capazes ou que herdaram a inteligência dos pais.
The Bell Curve Mesmo na comunidade de pesquisadores, vez ou outra encontramos aqueles que se valem da idéia de inteligência única e mensurável para fundamentar determinadas posições pessoais frente a sociedade. Um exemplo disso foi o livro The Bell Curve publicado em 1994 e que causou grande polêmica em torno de seu conteúdo. O título do livro se refere ao formato de curvas estatísticas usadas para mostrar e comparar os resultados das pesquisas realizadas pelos autores da obra, o sociólogo Charles Murray e o psicólogo Richard Herntein. No trabalho, eles cruzaram resultados de várias pesquisas sobre QI e concluíram que, em média, asiáticos e brancos têm quociente de inteligência superior ao dos negros e latinos e que isso se deve a fatores genéticos, pois as diferenças se mantêm mesmo em condições de igualdade sócio-econômica.
Embora o teor do livro, bem como o processo de pesquisa e as fontes utilizadas pelos autores, tenham sido amplamente debatidos e contestados, podemos ver aí uma tendência, que não é nova, de classificar pessoas, ou grupos de pessoas, com base na idéia de que as diferenças entre elas derivam de distinções herdadas e inatas.
Ao longo do tempo, especialmente a partir da decada de 80, críticas aos testes de inteligência têm sido freqüentes e defendem que, na tentativa de isolar fatores culturais afim de atingir o que possa haver de congênito em matéria de inteligência, os testes quase sempre se resumem a medir aptidões lingüísticas e lógico-matemáticas, deixando de fora do seu campo de interesse uma série de outras habilidades que também podem constituir-se em manifestações de inteligência.
O questionamento acerca da idéia de inteligência como grandeza fez com que, de uns tempos para cá a concepção de Inteligência ficasse no centro das atenções do público em geral, aparecendo com muita freqüência em jornais ou revistas, quase sempre de modo enfático ou sensacionalista. Expressões como Inteligência Emocional, Inteligência Coletiva, Inteligência Artificial, Inteligência Múltipla, Inteligência Criadora têm circulado amplamente em diferentes contextos.

Para pesquisadores como Minsky, Gardner e Gould, há evidências persuasivas da existência de diversas competências intelectuais humanas que indicam haver mais na inteligência do que respostas curtas para perguntas curtas. Pelo menos dois desses pesquisadores consideram que os testes de QI serviriam apenas para medir a capacidade de um indivíduo em resolver testes de QI.
As referidas críticas estão longe de apresentar uma definição que se torne universalmente aceita para o que seja inteligência, mas parecem evidenciar uma tendência em chamar-se inteligentes não somente um indivíduo isolado mas também sistemas capazes de tomar decisões, de resolver problemas, de estabelecer e realizar projetos.

Nessa perspectiva nascente, a inteligência não possui uma definição precisa, definitiva porque é uma realidade tão escorregadia, astuta e viva que um trabalho científico convencional não faria justiça, nem jamais esgotaria a importância do assunto.
Parece porém cada vez mais evidente, que aquilo que chamamos inteligência é antes de mais nada a capacidade que a inteligência tem de criar-se a si própria, capacidade que não pode ser ignorada friamente porque não se dá de modo simples e nem apenas como resultados genéticos ou individuais, mas constitui uma história cheia de intrigas e com muitos personagens.
As tecnologias da inteligência Pierre Lévy, em As tecnologias da inteligência, quando reflete sobre o papel das técnicas na organização e caracterização da inteligência, afirma que a inteligência ou a cognição são o resultado de redes complexas onde interagem um grande número de atores humanos, biológicos e técnicos. Para o autor, não sou "eu" que sou inteligente, mas "eu" como o grupo humano do qual sou membro, com minha língua, com toda uma herança de métodos e tecnologias intelectuais. Segundo Lévy, para citar apenas três elementos entre milhares de outros, sem o acesso às bibliotecas públicas, a prática em vários programas bastante úteis e numerosas conversas com os amigos, ninguém seria capaz de redigir sequer um texto pois, fora da coletividade, desprovido de tecnologias intelectuais, "eu" não pensaria. Assim, o pretenso sujeito inteligente nada mais é que um dos microatores de uma ecologia cognitiva que o engloba e restringe. Essa consideração de Lévy parece seguir a tendência de outros pesquisadores como Marvim Minsky e Howard Gardner que consideram que a inteligência não pode ser conceitualizada à parte do contexto em que o indivíduo vive, o que indica a compreensão de que a inteligência existe também, numa medida significativa, fora do corpo físico do indivíduo, ou seja, de que parte dela é inseparável de muitos outros agentes dos quais uma pessoa possa valer-se para examinar problemas, tomar decisões, lembrar fatos, conceitos ou procedimentos importantes.

Para o pesquisador de inteligência artificial do MIT, Marvin Minsky, a mente funciona como uma sociedade, isto é, a mente não forma um todo coerente e harmonioso, mas é constituída de peças e pedaços. Minsky emprega uma metáfora para sugerir que um cérebro humano conteria milhares de computadores diferentes, estruturados com centenas de arquiteturas diferentes, desenvolvidos de modo independente ao longo de milhões de anos de evolução. Não haveria nem mesmo um código de organização comum a todo o sistema cognitivo.

Segundo Minsky, o psiquismo deve ser imaginado como uma sociedade, na qual milhares de agentes, eventualmente agrupados em "agências", competem por recursos limitados, buscam objetivos divergentes, cooperam, subordinam-se uns aos outros.
Nessas tendências mais atuais a inteligência estaria, acima de tudo, associada à aptidão de organizar comportamentos, descobrir valores, inventar projetos, mantê-los, ser capaz de libertar-se do determinismo da situação, solucionar problemas e analisá-los.

Para Marina, a inteligência não é algo que se tenha ou não se tenha, nem é apenas alguma coisa que se tenha mais ou menos, mas é sobretudo algo que se vai fazendo e desfazendo em situações individuais e sociais, sem as quais seria apenas uma "propriedade virtual". Para Marina a inteligência faz muitas coisas além de computar informações: inventa projetos, pensa em valores, gere a aplicação da energia, constrói critérios, avalia e mantém tarefas.

O autor afirma ainda que o homem cria novas técnicas e submete sua obra a planos que ele próprio escolhe e, a esse modo de atuar, que resolve problemas novos e permite um ajustamento flexível à realidade chamamos inteligência. Nesse sentido ele defende que a inteligência, por si só, tem uma característica criadora porque não é uma operação única mas antes, uma forma de realizar muitas atividades mentais, transfigurá-las e construir outras novas; é um modo de criar que envolve percepção, memória, imaginação, os sentimentos todos enlaçados numa trama de competências e domínios.

A concepção trazida por Marina parece confirmar uma tendência dos estudos atuais, em acreditar que não existe uma inteligência unitária, uniforme, igual para todos mas sim inteligências múltiplas. É nesse contexto que situamos a teoria proposta por Howard Gardner.
 Gardner e a Teoria das Inteligências Múltiplas Howard Gardner e uma equipe de pesquisadores da Universidade de Harvard entram no cenário dos estudos sobre a inteligência assumindo uma posição de que há evidências da existência de diversas competências intelectuais humanas as quais chamam genericamente "inteligências". Nos diversos projetos de pesquisa que têm desenvolvido, a idéia central é a de que as manifestações da inteligência são múltiplas e compõem um amplo espectro de competências que inclui as dimensões lógico-matemática e lingüística mas também a musical, a espacial, a corporal - cinestésica, a interpessoal e a intrapessoal.

Gardner afirma que sua teoria está baseada numa "visão pluralista da mente", que reconhece muitas facetas diferentes e separadas da cognição, e que as pessoas têm forças cognitivas diferenciadas e estilos cognitivos contrastantes. Segundo Gardner (1994), numa visão tradicional, a inteligência é definida operacionalmente como a capacidade de responder a itens em testes de inteligência, é um atributo ou faculdade inata do indivíduo.

Na opinião do pesquisador, sua teoria se contrapõe a esse modo de pensar porque pluraliza o conceito tradicional. Para Gardner e seus colaboradores, uma inteligência implica na capacidade de resolver problemas ou elaborar produtos que são importantes num determinado ambiente ou comunidade cultural. A capacidade de resolver problemas permite à pessoa abordar uma situação em que um objetivo deve ser atingido e localizar a rota adequada para esse produto. Os problemas a serem resolvidos variam desde teorias científicas até composições musicais para campanhas políticas de sucesso.

Para ele, não faz sentido pensar na inteligência, ou inteligências, no abstrato, como entidades biológicas, como o estômago, ou mesmo apenas como uma entidade psicológica, como emoção ou temperamento. Gardner diz que, na melhor das hipóteses, as inteligências são potenciais ou inclinações que são realizadas, ou não, dependendo do contexto cultural e social em que são encontradas. Assim, a inteligência, ou inteligências, são sempre uma interação entre as inclinações biológicas e as oportunidades de aprendizagem que existem numa cultura.

 

Thurstone defendeu que a inteligência poderia ser descrita com a ajuda de vários fatores independentes uns dos outros. Em seus trabalhos ele sugeriu nove aptidões intelectuais: S-espacial; P-perceptivo; N-numérico; V-relações verbais; W-palavras; M-memória; I-indução; R-raciocínio aritmético e D-dedução. Essa estrutura recebeu o nome de análise fatorial múltipla.

Guilford tentou elaborar um modelo teórico da estrutura do intelecto sobre a base dos tipos de processos, produtos e conteúdos implicados na tarefa de resolução de um problema. Para esse pesquisador a inteligência era composta de:

  • cinco operações: cognição, memória, avaliação, produção
    divergente e produção convergente;
  • seis produtos: unidades, classes, relações, sistemas,
    transformações e implicações; e
  • quatro conteúdos: figural, simbólico, semântico e comportamental.

As diversas possibilidades destas três faces do intelecto se combinarem deram lugar, nos trabalhos de Guilford, a 120 (5x6x4) fatores de inteligência.
Muito embora haja aparentemente pontos de ligação entre esses dois trabalhos e a teoria apresentada pela equipe de Harvard, o próprio Gardner afirma que tais trabalhos não foram bem sucedidos porque também basearam suas pesquisas na lógica dos testes de QI.

De certo modo questionaram a unicidade da inteligência mas não o fato de ela poder ser medida. Para Gardner, para haver uma ruptura mais contundente, o conceito todo de inteligência tem que ser questionado e, de fato, ser substituído.

A teoria das inteligências múltiplas pode ser vista como tendo três princípios fundamentais. O primeiro deles seria que a inteligência não é algo simples que pode ser visto unitariamente ou como incluindo múltiplas habilidades. Ao contrário, existem múltiplas inteligências - cada uma distinta da outra.

De fato, ao apresentar o modelo que pensou para inteligência, Gardner afirma acreditar que a competência cognitiva humana seja melhor descrita em termos de um conjunto de capacidades, talentos ou habilidades mentais que podem ser genericamente chamadas ‘inteligências’.

A distinção entre propor uma inteligência compreendida por habilidades múltiplas e propor as inteligências múltiplas, cada uma distinta da outra, é sutil. Mas a proposta das inteligências múltiplas enfatiza a visão de Gardner de que cada inteligência é um sistema em seu próprio domínio, mais do que meramente um aspecto de um sistema maior, que nós tradicionalmente chamamos inteligência.

O segundo ponto fundamental da teoria das inteligências múltiplas seria o fato de as inteligências serem independentes umas das outras, isto é, uma habilidade pessoal avaliada sob uma inteligência não garante, na teoria, ser previsível o resultado da avaliação da mesma pessoa sob outra competência.

Essa característica contrapõe-se frontalmente às correlações feitas a partir dos testes de QI, ou seja, a idéia de que se um indivíduo pontuasse bem num determinado teste, que medisse uma certa habilidade, então ele deveria ser bem sucedido em qualquer outro teste. Para Gardner isso não pode ser aceito uma vez que a independência das inteligências contrasta intensamente com as tradicionais medidas de QI, que encontram altas correlações entre os resultados de testes. Ele acredita que as habituais correlações entre os subtestes de QI ocorrem porque todas essas tarefas na verdade medem a capacidade de responder rapidamente a itens do tipo lógico-matemático ou lingüístico, e que essas correlações seriam substancialmente reduzidas se examinássemos de maneira contextualmente adequada, a completa gama das capacidades humanas de resolver problemas.

O terceiro ponto fundamental na teoria das inteligências múltiplas trata da interação entre as competências. Isto é, as inteligências interagem e, apesar da distinção que Gardner estabelece entre elas, nada seria feito, ou nenhum problema se resolveria, se as pretendidas distinções e a independência significassem que as inteligências não pudessem trabalhar juntas.

De fato, para Gardner um problema de matemática no qual não fosse possível usar também as dimensões lingüística e espacial, poderia apresentar-se insolúvel. Mais que isso, ele afirma que cada papel cultural que o indivíduo assume na sociedade, seja qual for o grau de sofisticação, requer uma combinação de inteligências.
Ao ler os trabalhos de Gardner notamos que seu núcleo central não está no número de competências que podem ser associadas à inteligência mas sim, fundamentalmente, no caráter múltiplo que a inteligência apresenta e na possibilidade de podermos olhar para as manifestações da inteligência, não mais sob a perspectiva de uma grandeza a ser medida ou como um conjunto de habilidades isoladas, mas como uma teia de relações que se tece entre todas as dimensões que se estabelecem nas possibilidades de manifestação da inteligência.

As implicações sociais e educacionais que uma teoria como essa traz são muito ricas pois estão relacionadas com a formação de um novo cidadão, mais feliz, mais competente, com mais capacidade de trabalhar em grupo, mais equilibrado emocionalmente. Isso nos leva a considerar, ainda que brevemente a relação entre uma nova concepção de inteligência e as exigências sociais.
A proximidade da virada do século, que marcará também a entrada de um novo milênio, é um outro fator que suscita uma reflexão e o intenso debate acerca da inteligência.

O avanço dos conhecimentos, em particular da ciência e da tecnologia, ao mesmo tempo que nos dá a esperança de um futuro de progresso para a humanidade, nos faz pensar que tipo de cidadão seria necessário para gerar esse futuro e cuidar para que a humanidade não se desviasse dessa rota de progresso superando os perigos e os conflitos aos quais o mundo contemporâneo encontra-se exposto.
Diferentes estudos e análises sobre o perfil do cidadão do próximo século têm apontado na direção de alguém com espírito empreendedor, com capacidade de tomar decisões e de resolver problemas, que seja criativo, com capacidade para ser um cidadão do mundo, isto é, poder "navegar" em diferentes contextos, mesmo fora de sua área de atuação específica, sem perder o rumo.

Em uma pequena ampliação dessa análise poderíamos dizer que desse cidadão do próximo século seria exigido que conciliasse uma cultura geral suficientemente ampla com a possibilidade de aprofundamento em uma área específica, de forma que adquirisse aptidão para enfrentar novas situações e realizar um ofício. O perfil delineado exige ainda uma maior capacidade de autonomia e discernimento e o fortalecimento da responsabilidade pessoal na realização do destino coletivo. Dito de outro modo, seria preciso ao cidadão do próximo século, desenvolver o conhecimento dos outros, e sua história, criando uma nova mentalidade, a da análise compartilhada dos riscos e desafios, que conduzisse à realização de projetos comuns e à gestão "inteligente" e pacífica dos conflitos que se mostrarem inevitáveis.
Ao mesmo tempo em que se exige um cidadão capaz de conhecer, aprender e fazer, também é exigido dele que saiba ser e viver junto ou seja, já não há mais lugar para alguém puramente racional se é que isso algum dia tenha ocorrido, insensível a sentimentos, incapaz de controlar suas próprias emoções e de perceber que não está sozinho no mundo.

Para formar o cidadão próximo a esse perfil esperado, consideramos que uma concepção de inteligência como a proposta por Gardner é importante. Ao inserir em seu modelo inteligências como a musical, a interpessoal e a intrapessoal e, mais recentemente a naturalista, Gardner também atende à exigência do equilíbrio entre razão e emoção e abre caminho para que possamos como pais, educadores, pesquisadores e cidadãos caminhar na busca de uma sociedade mais feliz, justa e que use seu conhecimento, tecnologia e progresso científico em benefício do progresso social e da convivência pacífica com as diferenças.

Para alguns de nós pode parecer utópico mas, sem entrar nesse nível de discussão, e considerando essa utopia necessária e vital para sair do ciclo perigoso e cínico da resignação em que nos encontramos hoje diante da sociedade que temos, preferimos destacar desse perfil o traço que nos parece mais marcante e que justificaria a adoção de uma nova concepção de inteligência: o equilíbrio entre razão e emoção.
Sem termos a pretensão de esgotar o assunto, sabendo que aceitar uma teoria é render-se perante o encanto do importante, do prometedor, das possibilidades e do chamamento sugestivo que ela nos apresenta, deixamos aqui o convite a um longo caminho, cheio de percalsos, de necessidade de debates, de reflexões que podemos fazer juntos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
  • Delors, Jacques.
    Educar para o futuro.
    O Correio da Unesco, M.6, p.6-10, junho 1996.
  • Gardner, Howard.
    Inteligências Múltiplas: a teoria na prática.
    Porto Alegre: Artes Médias, 1995.
  • Gould, Stephen J.
    A falsa medida do homem.
    São Paulo: Matins Fontes, 1991
  • Lévy, Pierre.
    As tecnologias da inteligência.
    Rio de Janeiro: Editora 34, 1994
  • Lévy, Pierre.
    Intelligence Coletive.
    Paris: Éditions La Découverte, 1995.
  • Machado, Nílson J.
    Epistemologia e didática: as concepções de conhecimento e inteligência e a prática docente.
    São Paulo: Cortez, 1995.
  • Marina, José Antonio.
    Teoria da inteligência criadora.
    Lisboa: Caminho da Ciência, 1995.
  • Minsky, Marvin.
    A sociedade da mente.
    Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1989.
  • Smole, Kátia C.S.
    A matemática na educação infantil: A Teoria das Inteligências Múltiplas na prática escolar.
    Porto Alegre: Artes Médicas, 1996. (ver o livro)