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  Desvendando enigmas com Sherlock Holmes
Escrito por: Liane Geyer Poggetti

Caso não fosse personagem de ficção e vivesse até os dias de hoje, Sherlock Holmes, criado pelo médico e escritor britânico Sir Arthur Conan Doyle nos idos de 1887, certamente sentiria orgulho de ser a personagem principal de um livro que se propõe a desafiar os leitores com enigmas para os quais a solução depende, basicamente, do uso do raciocínio lógico- dedutivo.

Em Enigmas de Baker Street Charadas de Sherlock Holmes (Tom Bullimore; Melhoramentos; 2002; 80 páginas), o leitor tem a oportunidade de se juntar ao mais famoso detetive de todos os tempos para desvendar charadas, descobrir assassinos, localizar objetos roubados, decifrar códigos e anagramas, utilizando-se, dentre outras habilidades e competências, de conhecimentos matemáticos, conhecimentos sobre fenômenos naturais, conhecimentos gerais e, principalmente, da capacidade para articular e utilizar todos esses conhecimentos e fazer deduções lógicas.

Na célebre obra literária de Conan Doyle, o detetive Sherlock Holmes vive na 221B Baker Street, em Londres, em um apartamento que divide com um médico, dr. Watson, seu parceiro e biógrafo. Atualmente, nesse endereço há um museu dedicado a perpetuar as aventuras e a genialidade desse notável personagem da literatura mundial.

Famoso por utilizar o método científico e a lógica dedutiva, modalidade de raciocínio lógico que faz uso da dedução para obter uma conclusão a respeito de determinada premissa, Sherlock anuncia, após dias de investigações e conjecturas, a resolução de crimes misteriosos, aparentemente sem solução. “Elementar meu caro Watson” – essa conhecida frase de Holmes encerra todo processo investigativo e provoca admiração e espanto em seu amigo, dr. Watson. Os mesmos sentimentos, Doyle, brilhantemente, consegue provocar no leitor, ao manter desconhecidos os passos da investigação científica, ao longo de sua narrativa.

Aproveitando-se da genialidade de Doyle, Tom Bullimore, em seu livro, cria e recria situações misteriosas, supostamente vividas por Sherlock Holmes, e provoca o leitor a desvendá-las utilizando-se dos mesmos recursos: conhecimentos gerais, conhecimentos matemáticos e dedução lógica.

Cada uma das 80 páginas do livro de Bullimore traz uma situação nova e provocadora, geralmente finalizada por uma pergunta do tipo: “você é capaz de deduzir...?” ou “você é capaz de descobrir...?”. Em uma narrativa curta, simples e contextualizada, a cada página o leitor é informado sobre dados relevantes que levaram Holmes a desvendar determinado mistério e é instigado a fazer o mesmo. Na página 28, por exemplo, a situação termina com a seguinte provocação: “(...) Holmes respondeu corretamente e quase imediatamente. Você pode fazer o mesmo?”.

Além de Sherlock Holmes e do dr. Watson, outras personagens da obra de Doyle aparecem nas situações propostas por Bullimore, como o inspetor Lestrade – um investigador da Scotland Yard que aparece em várias de suas histórias – e o professor Moriarty, um gênio do crime e o maior inimigo do detetive Sherlock Holmes.

Apesar de o livro não fazer referência ao perfil do leitor a que se destina, sua leitura parece mais adequada a leitores mais experientes, talvez, acima de 10 anos de idade, em função dos desafios oferecidos e das habilidades e conhecimentos necessários para solucioná-los.

Portanto, se você tem mais de 10 anos e se sente atraído por desvendar enigmas, crimes misteriosos e desafios matemáticos, certamente vai gostar deste livro.