
| Usar ou não a calculadora na aula de matemática? | |
| Kátia Stocco Smole - Cordenadora do Mathema Cristiane Akemi Ishihara e Cristiane R. Chica - Cordenadoras do NUTEC |
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Não
utilizo a calculadora nas minhas aulas, pois receio que seja
prejudicial para o desenvolvimento de
habilidades de cálculo. Qual a opinião de vocês a respeito disso? M.N.P. - Minas Gerais |
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Assim como você muitos professores apresentam argumentos para a não introdução da calculadora nas aulas de matemática: "Os alunos deixam de saber fazer contas", "Tornam-se dependentes da máquina", "Calculam mecanicamente sem pensar", ... Podemos notar que tais argumentos fundamentam-se na preocupação e defesa do cálculo como componente essencial do ensino e aprendizagem da matemática, uma vez que o ensino da matemática caracteriza-se ainda por um excessivo peso nas chamadas contas, onde o desenvolvimento da capacidade básica de cálculo, a memorização e manuseio das técnicas parece ser o fio condutor das aulas ao longo dos diferentes anos de escolaridade. É comum a preocupação dos professores com o fato de que os alunos, se usarem a calculadora, fiquem dependentes dela para resolver operações e problemas mas pensemos nos seguintes pontos antes de prosseguirmos:
Antes ainda de prosseguirmos em nossa resposta, acione o ícone da calculadora e realize a seguinte atividade utilizando-a: |
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| "Paula gosta de usar números grandes. Quando perguntaram sua idade, ela respondeu que já viveu 7.358.400 minutos. Quantos anos Paula já viveu? (considere um ano com 365 dias). E você quantos minutos já viveu?" | |
Você pode dizer que fez essa atividade mecanicamente? A calculadora "pensou" por você? Pois bem, em nossa opinião o uso da calculadora não impede os alunos de pensarem matematicamente, muito pelo contrário. Também achamos que não cabe mais discutir se devemos ou não usar a calculadora nas aulas de matemática, mas refletir sobre como usa-la para auxiliar os alunos a aprenderem mais matemática e ampliarem seu pensar matemático. Da mesma forma, não está em causa a eliminação nos programas de todas as técnicas de cálculo, nem muito menos, afirmar que o cálculo não é importante e que não deva ser parte integrante da matemática escolar. O que está em causa é a importância e prioridade do cálculo e a forma de se desenvolver esse componente da matemática. |
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| Menos técnica, mais pensamento: |
O uso da calculadora poderá provocar uma redução no cálculo escrito e mecanizado, mas será socialmente preocupante um aluno dos nossos dias não encontrar, com a mesma rapidez que um aluno de há 20 anos, o quociente de um número de 7 algarismos por um número de 4 algarismos, utilizando unicamente lápis e papel? A destreza de cálculo nessa técnica numa situação como esta, contribuirá para reforçar a compreensão da operação? Acreditamos que não, entretanto poderá ser preocupante se o aluno, observando o dividendo e o divisor, não conseguir ter mentalmente uma ordem de grandeza do quociente, aliás, temos visto que há muitos alunos que nunca usaram a calculadora, para os quais 30 : 3 = 1! Não é preocupante a diminuição do cálculo escrito e das técnicas tradicionais que pode em alguns casos acontecer, se pensarmos que o uso da calculadora realizado de uma forma consciente traz implícito o desenvolvimento do cálculo mental e da estimativa. Perde-se em habilidades mecânicas, mas ganha-se em compreensão da realidade dos números - do seu sentido na vida e nos problemas, da sua ordem de grandeza,... - e ganha-se no sentido crítico face a esses mesmos números, enquanto resultado das operações em que possam estar envolvidas. Desenvolver o sentido de número e capacidades como o cálculo mental e a estimativa são objetivos do cálculo que ficam extremamente valorizados com a introdução da calculadora. Isso porque consideramos que desenvolver um sentido sobre números é muito mais que fazer contas, é construir uma rede de idéias, esquemas e operações conceituais que levem o aluno a utilizar esses conceitos em uma ampla variedade de situações. Uma nova forma de encarar o cálculo possibilita novas abordagens numéricas, através de atividades que permitam ao aluno tirar todo o partido do uso da calculadora, podendo investigar propriedades, verificar possibilidades de manipulação, tomar decisões em contextos variados, tendo como efeito importante e decisivo o desenvolvimento de uma atitude de pesquisa e investigação nas aulas de matemática. Para que os alunos não fiquem dependentes da calculadora, nem a sub utilizem, é necessário que aprendam a usá-la de forma correta, utilizando as possibilidades abertas pelas memórias, teclas das operações e funções diretas, porcentagens e raiz quadrada, só para falar das calculadoras simples; do ponto de vista pedagógico, incentivando o seu uso problematizado, refletido e crítico de forma a permitir a cada momento, analisar a razoabilidade dos resultados que a calculadora vai fornecendo, fomentar o registro, sempre que necessário, dos passos intermediários do desenvolvimento das estratégias, para que possam analisar possíveis alterações a serem feitas em seus procedimentos de resolução de um problema. Podemos dizer que a calculadora estimula
a atividade matemática:
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| Para saber mais: | [1]
FEY, J.T., HIRSCH, C.R. Calculators in Mathematics Education 1992 Yearbook. NCTM, 1992. [2] Parâmetros Curriculares Nacionais 1º, 2º, ciclos do Ensino Fundamental - Matemática. SEF/MEC, Brasília, 1997. [3] Parâmetros Curriculares Nacionais 3º, 4º, ciclos do Ensino Fundamental - Matemática. SEF/MEC, Brasília, 1998. |