
Já há muitos anos o trabalho realizado pelo pesquisador Francisco Soares, professor da Universidade Federal de Minas Gerais, vem sendo um dos referenciais mais importantes no campo da avaliação educacional.
Recentemente, Chico Soares, como é conhecido, veio ao Mathema para discutir com o Grupo sobre esse tema e estreitar vínculos para futuras parcerias. Veja a entrevista exclusiva concedida para a newsletter do Mathema.
News Mathema – O senhor acha que vivemos um momento especial no que toca à avaliação? O Brasil assimilou finalmente a cultura da avaliação?
Francisco Soares – A avaliação de escolas e sistemas educacionais é uma exigência da cidadania que o Estado deve prover. O direito à educação é hoje o direito de aprender e a ocorrência do aprendizado deve ser verificada através de instrumentos apropriados. Ainda é pouco entendido que a educação escolar deve ser analisada por meio de uma métrica comum. Afinal somos todos cidadãos. No entanto, os projetos pedagógicos devem ser diferentes, atendendo às especificidades dos alunos. No Brasil ainda estamos longe de ter uma cultura de avaliação completamente incorporada ao fazer pedagógico. A batalha que se ganhou foi a da medida dos resultados. Na realidade hoje ocorre uma ênfase no resultado sem preocupação da tradução desse resultado em análises que permita melhorar o ensino e o aprendizado.
News Mathema – O senhor acredita que os instrumentos que hoje temos à disposição, como o SAEB, o ENEM, são suficientes, ou precisamos afinar mais o sistema? Seria o caso de termos uma avaliação específica para os professores?
Francisco Soares – Estamos caminhando para o SAEB/Prova Brasil se tornar o instrumento para monitoramento do Ensino Fundamental, e o ENEM, na sua nova forma, como a avaliação do Ensino Médio. Isto é razoável. Como disse, precisamos, principalmente no caso do ENEM passar dos rankings para a interpretação pedagógica dos resultados, e dessas para as intervenções. Como qualquer profissional, o professor deve ser avaliado. O que não é adequado é avaliar o professor apenas pelo resultado de seus alunos. Há outros fatores que impactam. No entanto, isto não ser usado para excluir de consideração a introdução de programas de certificação de professores, por exemplo.
News Mathema – Como avalia os dados de avaliação relacionadas à proficiência dos alunos brasileiros em Matemática?
Francisco Soares – Os melhores resultados que temos são os de leitura para alunos de 11 anos, terminando a primeira etapa do Ensino Fundamental. Nas outras etapas do Ensino Básico, os resultados observados são ruins. Hoje, há uma vaga para todos os brasileiros de 6 a 14 anos em uma escola de Ensino Fundamental. Mas nem todos admitidos aprendem o que deles se espera. Houve sim uma mudança importante no debate público. Hoje é dominante na sociedade o apoio a olhar a escola pelo aprendizado de seus alunos. Este é um primeiro e importante passo para a obtenção desses resultados que um dia, espero, virão.
News Mathema –Por fim, o senhor acha que fazem falta políticas para estimular as escolas (e os professores) a entender melhor e a utilizar mais os dados provenientes da avaliação no planejamento escolar?
Francisco Soares – O que falta é pesquisa e iniciativas no sentido de tornar as avaliações externas relevantes pedagogicamente. Nossas avaliações produzem bons números que são ainda explicados de forma pouco efetiva e, pior ainda, essas explicações não chegam à escola. Ou seja, precisamos manter as avaliações, mas cuidar dos relatórios de resultados e da promoção de discussões destes relatórios em cada escola.
Em novembro e dezembro a agenda do Mathema fica tomada: é tempo de preparar o próximo ano letivo, e muitas escolas, secretarias e instituições, que são acompanhadas pela equipe, planejam semanas pedagógicas e momentos de reflexões com este fim.
O movimento de planejar nasce na avaliação. Portanto, não pode e nem deve ficar restrito a um único momento do ano. Ao avaliar continuamente o planejamento, este sofrerá modificações, ampliações e novas intervenções ao longo do processo em função dos objetivos que se pretende alcançar. Essa reflexão contínua faz do planejamento um instrumento vivo, dinâmico e rico no cotidiano da ação do professor.
É preciso, contudo, organizar e sistematizar o que foi realizado, analisar o produto conquistado, avaliar as faltas e falhas. Essa não é uma tarefa simples de ser realizada, pois exige distanciamento, clareza de objetivos e retomada de registros. O re-planejamento é então gestado e é possível prospectar novas ações, projetar o futuro a partir do passado e do presente.
Projetar é antecipar um futuro possível. Por isso, prevê atores, elaboração, realização, inovação, objetivos, prazos, indicadores de avaliação durante o processo e fins (produto), ou seja, a transformação do real que pode ser uma nova razão para produzir um novo projeto e realizá-lo.
Esta edição da nossa newsletter marca o primeiro ano desse meio de comunicação entre o Mathema e todos aqueles que se interessam pelo desenvolvimento do ensino da Matemática.
Entrevistas, artigos, notícias fizeram parte do repertório das edições da newsletter, que podem ser consultadas no site www.mathema.com.br. Um levantamento dos acessos mostra que, ao longo desse período, a newsletter teve 4,5 mil leitores – ou seja, está atingindo seu objetivo de estimular a criação de uma comunidade de reflexão e de informar sobre as atividades do Grupo.
Aproveite esta oportunidade e acesse também às novidades do site do Mathema. Lá você encontrará textos, propostas de trabalho e sempre novos artigos relacionados sobre a educação matemática. Tudo ao alcance de um click!
O portal do Mathema vem se consolidando como grande fonte de pesquisa e formação, em especial na área de matemática, para professores, alunos de graduação e pós-graduação, coordenadores, diretores e dirigentes de escola.
Veja o que os números dizem: só no ano de 2009, o Portal contou com 221.685 visitantes, com uma média 657 visitas por dia.
Nesse ano, a página mais visitada foi a da matéria “Aprendendo Matemática com as dobraduras”, na seção Sala de Aula da Educação Infantil, com 31.306 acessos.
Em seguida, com 26.759 acessos, foi muito visitada a matéria “Conhecendo o Tangran”, do segmento Ensino Fundamental 1º ao 5º ano, na Seção Materiais didáticos – Tangram, assim como o texto “Geometria e a arte de Tarsila do Amaral”, na seção sala de aula desse mesmo segmento de ensino, com 22.760 acessos.
O artigo: “Um pouco da gramática relativa ao Tratamento da informação”, no segmento do Ensino Médio está entre as mais procuradas, com 13.522 acessos e se encontra na Seção Matemática e Leitura.
Vale destacar ainda, o texto “Fazendo uma pesquisa estatística” destinada ao segmento do Ensino Fundamental de 6º ao 9º ano, na Seção Matemática e Leitura, com 9.682 acessos.
A seção Reflexões é um espaço do site onde são apresentados alguns textos escritos pela equipe do Mathema, enquanto estudam temas sobre educação e ensino, tais como: avaliação, planejamento, educação matemática, resolução de problemas e tecnologia. De modo geral, esses textos refletem dúvidas, posicionamentos, preocupações a aprendizagens da equipe. O texto mais acessado é: “Aprender a ler problemas em matemática”, com 10.347 visitas