
Em 2008, o Mathema chegou diretamente a 191 instituições de ensino, 2185 educadores e 65,4 mil alunos brasileiros: esse é o resultado do balanço de um ano de muito trabalho, crescimento e integração com educadores de diversas partes do país.
Os números levam em conta atividades de assessoria, oficinas, palestras, grupos de estudo e outras modalidades de formação continuada realizadas pelo Mathema – isso sem contar as outras formas de disseminação do conhecimento, como a publicação de livros, o que também aconteceu.
O balanço confirma também que a atuação do Mathema é mais freqüente no Ensino Fundamental I (onde se concentram a maior parte das matrículas no ensino brasileiro), mas está presente também em todas as demais etapas do ensino – Educação Infantil, Ensino Fundamental II e Ensino Médio. É interessante notar ainda que o Mathema foi convidado a trabalhar, em proporção muito semelhante, na rede pública e particular de ensino, o que consolida o amplo repertório de experiências pedagógicas do grupo.
Os dados são motivo de alegria para a equipe do Mathema, e tornam evidente os bons resultados da proposta de intervenção desse grupo de pesquisa que busca, continuamente, promover o encontro entre a reflexão teórica e as demandas reais dos educadores das escolas públicas e particulares do país.
Escolas investem no planejamento pedagógico O ano nem acabou e o Mathema já tem quase uma dezena de atividades programadas para o final de janeiro e início de fevereiro. Este é um sinal positivo, pois mostra que as escolas preocupam-se cada vez mais em planejar o trabalho pedagógico.
As atividades do Mathema já programadas concentram-se em escolas particulares de São Paulo e do Rio de Janeiro, e consistem em palestras e grupos de estudo. Veja, no link abaixo, uma breve entrevista com a coordenadora do Mathema, Maria Ignez Diniz.
Mathema News – Como você avalia a importância de um planejamento bem feito para o ensino de Matemática?
Maria Ignez Diniz – Planejar é essencial para qualquer ação conseqüente e com intencionalidade. Um bom planejamento de ensino não contém apenas o que se espera que os alunos aprendam, mas leva em conta também o tempo real, as condições da escola, os recursos de que o professor dispõe e o conhecimento que se tem dos alunos. O bom planejamento é mais do que uma carta de intenções. É um mapa que orientará todo o processo de ensinar ao longo do ano, do trimestre, e de cada mês e de cada aula. Evita-se assim a tentativa e erro que costuma acontecer quando se inicia o trabalho com uma nova turma sobre a qual não se pensou ou não se previu os detalhes das condições de trabalho. O principal objetivo é otimizar esforços e a utilização de todas as possibilidades de que se dispõe para que os alunos aprendam.
Mathema News – O que recomendaria para as escolas que desejam incluir o tema nas tradicionais "semanas pedagógicas"? Acha necessário que contenha atividades práticas?
Maria Ignez Diniz – Em todas as escolas públicas e particulares, os professores elaboram seus planejamentos, algumas vezes no final do ano, outras no início do ano. Minha sugestão é para pensarem sobre o real significado do planejar para evitar que esse ato seja apenas burocrático. As atividades dessa semana de planejamento também devem ser desenvolvidas pelos professores com a coordenação pedagógica para que este seja um momento especial de aprendizagem dos professores e aperfeiçoamento do ensino. Sem dúvida a escolha entre palestras, atividades práticas para conhecer algum material ou recurso de ensino ou ainda a troca de experiências ou de atividades bem-sucedidas podem estar presentes nessa semana especial.
Mathema News – Como é o trabalho do Mathema nesse aspecto? Ou seja, quando uma escola chama o Mathema para participar do planejamento, que contribuição o grupo pode dar?
Maria Ignez Diniz – Nossa atuação é bastante diversificada. Muitas vezes somos chamados para palestras ou pequenas oficinas na semana de planejamento, e em geral a escola já solicita um tema escolhido pela equipe docente. Alguns dos temas mais solicitados são: avaliação e habilidades e competências. Outras vezes nos chamam para analisar com os professores de um segmento ou série seus planejamentos, ou para apresentar um recurso como jogos e brincadeiras, uso de literatura infantil ou tecnologia nas aulas de matemática, entre outros.
Nas escolas com as quais trabalhamos em assessoria, o planejamento é trabalhado em diversos momentos do ano, sempre em função da avaliação do que foi realizado. Esse processo gera modificações ou ampliações a partir do que foi ou não atingido em termos dos objetivos propostos no plano inicial.
Mathema News – Acha que a cultura de planejamento está mudando? Em outras palavras, acha que as escolas estão mais preocupadas em estabelecer um plano estratégico para o trabalho pedagógico, ou ainda as atividades ocorrem fragmentariamente?
Maria Ignez Diniz – Se o planejamento não é retomado ao longo do ano, se ele não acompanha o trabalho de ensinar do professor, ele não cumpre sua função, é apenas um papel para ser entregue à Secretaria. Infelizmente, o planejamento ainda é visto dessa forma por boa parte dos professores e equipes de coordenação. No entanto, percebo um crescimento da valorização do ato de planejar entre os professores e escolas, e isso vem se intensificando a cada ano. De fato, na medida em que os professores começam a se apropriar da prática e avaliar o quanto um bom planejamento facilita seu trabalho, cresce a valorização desse instrumento e a consciência sobre sua importância.