
| Escola deve estimular todas as inteligências | |
| Kátia Cristina Stocco Smole | |
| Embora
baseie sua proposta na Teoria das Inteligências Múltiplas,
Kátia ressalta que Gardner não propõe um
método pedagógico. "Foi o interesse dos educadores
que o levou a comentar o tema", conta. Para ele, "o
propósito da escola deveria ser o de desenvolver as inteligências
e ajudar as pessoas a atingir objetivos de ocupação
e diversão adequados ao seu espectro particular de inteligências". "Se todo o espectro é estimulado, a criança se desenvolve mais harmonicamente", explica Kátia. "Isso previne as chamadas obstruções da rota de certas inteligências." Embora ninguém vá se tornar especialista em tudo, podem-se evitar bloqueios de capacidades. Para Kátia, porém, a idéia vigente na maioria das escolas ainda é a de que inteligência é uma só e apenas varia em quantidade de uma pessoa para outra. Por isso, o ensino visa ao aluno de "inteligência média" e supervaloriza o "muito inteligente", segundo as capacidades lógico-matemática e lingüística. Assim, as demais competências são ignoradas ou estimuladas secundariamente. |
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Os
muitos caminhos da matemática ![]() A mestra Kátia Smole: abrindo o leque de inteligências |
Proposta
integra diferentes habilidades para que alunos possam olhar de
vários ângulos uma mesma idéia: Curiosamente, embora a competência lógico-matemática seja tão valorizada, o ensino das Matemática costuma ser problemático. "Acredita-se que o aprendizado matemático decorra basicamente de explicações claras do professor ", analisa Kátia." Mas a clareza não é imediata para o aluno sem o exercício sistemático de pensar." A proposta, então, é oferecer aos estudantes condições de usarem suas habilidades específicas para chegar ao pensamento matemático. "A formação de um conceito matemático envolve muitas relações", lembra Kátia. "Diversificando as atividades para integrar as inteligências, você dá chance ao aluno de olhar várias vezes uma mesma idéia." Na prática, o programa implantado por Kátia junto com os professores do Instituto Dom Bosco se traduz em atividades nas quais os conteúdos são desenvolvidos de modo a integrar as demais habilidades. "Não se trata de um novo currículo, mas de um conjunto de estratégias para o ensino", explica ela. O planejamento deve ser cuidadoso para incorporar outras competências sem perder de vista o objetivo matemático. É preciso evitar também o risco de artificializar a atividade apenas para incluir uma certa inteligência. |
| Adeus, ansiedade | O
índice de repetência na disciplina caiu praticamente
a zero. "Agora os alunos reagem à Matemática
de forma muito diferente, sem ansiedade ", observa Heloísa
de Almeida, professora da segunda série. "As crianças
não estranham que se cante ou dance para aprender Matemática",
diz Kátia. O programa tem um ponto de referência no laboratório de Matemática, a matemoteca, um espaço de experimentos e descobertas. Ali, as turmas têm uma aula semanal e só trabalham em grupos. "Os alunos ficam deslumbrados", conta a coordenadora pedagógica, Ericka Vitta. Certa vez, um deles disse que a matemoteca era a casa onde a Matemática morava." Conheça o laboratório e veja alguns exemplos de atividades. |
| Matemoteca é lugar de descoberta |
Objetos matemáticos e de uso cotidiano são organizados pela escola para facilitar trabalhos em grupo.
PRATELEIRA DE GEOMETRIA
PRATELEIRA DE JOGOS PRATELEIRA DE MEDIDAS PRATELEIRA DE NÚMEROS
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| Da brincadeira à construção |
Atividade para pré - escola e primeiro
grau menor vão de jogos tradicionais à confecção
de maquetes inspiradas em letras de música.
Pré escola O jogo da amarelinha é um excelente recurso para desenvolver noções e conceitos de números e medidas, facilitando a identificação dos algarismos, as estratégias de contagem e as comparações de tamanho, além de noções de localização espacial. Semanalmente, a turma senta-se no chão, em torno do desenho numerado. Cada aluno tem sua vez. O jogo segue o esquema tradicional e a própria turma banca o juiz. A professora vai fazendo a " ponte " matemática, formulando questões como: qual é o próximo número que o jogador deve alcançar; qual foi o número que ele jogou por último; quem conseguiu ir até o número mais alto. Quando erra e cede a vez ao colega, o aluno anota em um papel, com seu nome escrito pela professora, em qual número parou. Rotas secundárias Mosaico de papel
Pré escola A produção
de mosaicos é uma atividade realizada com as crianças
de 6 anos, ao longo de três meses, relacionando a geometria
(identificação, comparação, construção
e representação de formas geométricas) com
medidas (noção de recobrimento de superfícies
e comparação de tamanhos). Inicialmente, as crianças
investigam os mosaicos que existem em seu cotidiano, nas calçadas,
na escola, nas paredes e até em frutas como abacaxi e
carambola. Rotas secundárias Pré escola Conceitos básicos como posição, direção, sentido, construção e representação de formas geométricas, associados a idéias de medidas, como noções de duração, comparações de tamanho e distância, são trabalhados com as crianças de 6 anos a partir de sombras. Primeiro, os alunos exploram as próprias sobras ao sol, medindo e comparando seus tamanhos. Depois brincam de projetar sombras com as mãos, sob luz artificial. Brincam ainda de pega-pega de sombra, em que o perseguidor deve pisar na sombra do perseguido. Só então desenham e recortam figuras geométricas que manipuladas sob a luz, mudam de forma. A atividade termina com um teatro de sombras feito pelos alunos a partir de um texto próprio ou de literatura infantil. Rotas secundárias Tangram
Primeira série Uma espécie
de quebra-cabeça com sete peças, o tangram é
um jogo de origem chinesa que permite montar até duas
mil figuras diferentes. Por isso, é muito útil
para desenvolver noções de geometria. Em uma atividade
associada ao teatro, ele pode ser aplicado desde a primeira série.
A prática começa com a leitura do livro As Três
Partes, de Edison Kozminski (editora Ática), que conta
as aventuras das partes de uma casa que se cansam de ser casa
e decidem se transformar em outros objetos e seres. Rotas secundárias Gincana de números
Segunda série Se exigia de
modo mecânico, a memorização da tabuada é
um problema para a maioria dos alunos. Atividades envolvendo
músicas e torneios facilitam a tarefa. Na segunda série,
a gincana dos números é precedida por brincadeiras
com cantigas de roda que relacionam adição e multiplicação.
Cantigas como "sete e sete são quatorze com mais
sete, vinte e um" são colecionadas e também
adaptadas pelos professores para desenvolver as brincadeiras. Rotas secundárias Medidas
Rotas secundárias
Terceira série O estudo dos
polígonos (quadrado, retângulo, triângulo,
losango etc.) e dos sólidos geométricos (cubo,
cone, paralelepípedo etc.) é desenvolvido a partir
da música Aquarela de Toquinho. Rotas secundárias |
| Avaliação é instrumento de planejamento | A
avaliação é um ponto fundamental do programa.
Segundo Kátia, ela é um instrumento de orientação
do professor. Seu objetivo é conhecer o perfil de inteligências
de cada estudante, permitindo a busca de alternativas para as
dificuldades que apresentam. "Não se trata de classificar
os alunos em melhores e piores", explica, "mas de obter
pistas para planejar as correções de rotas necessárias." Na pré-escola, qualquer tipo de teste escrito é desaconselhado. Nesse período, a observação cotidiana que o professor deve fazer da evolução de cada criança é, em si mesma, um processo de avaliação. Kátia sugere que essa observação seja registrada constantemente em forma de relatório ou ficha para facilitar a avaliação periódica. Junto com as pastas que reúnem os trabalhos feitos pelas crianças em cada atividade, os relatórios ou fichas de observação sintetizam o desenvolvimento de aluno por aluno, que é o que se deseja avaliar. Já a partir da primeira série, como as escolas exigem avaliação quantativa, Kátia propõe a escala de conceitos em vez do esquema de notas. "Por si só a idéia de conceito já impõe um maior número de critérios", explica. Deve-se considerar os múltiplos desempenhos do aluno ao longo dos trabalhos, em relação às suas inteligências. Nesse caso, o teste escrito é apenas um instrumento de avaliação, entre outros. |
| Leituras | Entre os livros publicados no Brasil sobre a Teoria
das Inteligências Múltiplas, destacam-se os dois
mais importantes de Howard Gardner e o de Kátia Smole,
todos editados pela Artes Médicas, tel.: 051 - 330-3444:
Estruturas da Mente - A Teoria das Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner; Inteligências Múltiplas - A Teoria na Prática, de Howard Gardner; e A Matemática na Educação Infantil - A Teoria das Inteligências Múltiplas na Prática Escolar, de Kátia Cristina Stocco Smole |
Revista Escola Nº 101 abril de 1997 |