Matéria de Estudo
Reflexões
  O que é avaliação formativa?
  Cláudia Cavalcanti Pereira - Pesquisadora do Mathema de São Paulo
Muito tem sido tido sobre avaliação formativa. Nas tentativas de definição nos esbarramos com uma questão que marca efetivamente ações que estão a serviço dela: como fazer da regulação contínua das aprendizagens a lógica prioritária da escola? Definí-la poderia ser visto como a tarefa de buscar uma concepção mais coerente e mais científica, porém, não é tarefa fácil. Prescrever ações que a mapeiem, menos ainda. O que é possível então?

Não podemos desvincular a avaliação das instituições e de seus espaços culturais e sociais, não há pois, uma fórmula rígida. O que há então?

Esperar o tempo das modificações coletivas de mentes e culturas?

Como atuar no presente sem cometer tantos erros, aproximando-se cada vez mais dessa nova estrela? Afinal, parece que encontramos um caminho… ou não?

Pensando nos diferentes locais de trabalho com os quais atuamos e diante da dificuldade da definição, decidimos listar um conjunto de princípios que aponte a nova estrela. Partindo de um princípio básico: a avaliação formativa está no centro da individualização das aprendizagens, apresenta-se como a ruptura da homogeneização do ensino. Apresenta a preocupação em buscar informações através do diagnóstico casado com a intervenção. Mas, não estamos falando de qualquer diagnóstico. Falamos daquele que todo agricultor realiza.

Quando um agricultor está prestes a semear um novo campo, se vê diante da tarefa de pegar um bocado de terra para conhecer melhor o solo. Busca saber qual a melhor época para o plantio, o período das chuvas, das secas, da estiagem. Seu propósito, sempre é o de colher mais, cultivar bem para colher os melhores frutos.

Sua tentativa incessante de descobrir novos modos de cultivo, novos adubos, vencer as novas pragas, faz com que vislumbre campos cada vez mais bonitos. É para isso que dedica sua vida de sol a sol.

Todo seu cuidado faz com que as plantas fiquem tão viçosas, que parecem dançar ao som do vento em agradecimento ao agricultor e sua paixão em cultivar, em controlar o crescimento daquelas plantas tão suscetíveis as geadas, as chuvas, as pragas…

Quando chega o período da panha os apanhadores já sabem o que irão colher, pois durante todo o plantio são avisados pelo agricultor. Tivemos uma florada linda este ano. As chuvas não estragaram a plantação. A geada não castigou nossos cafezais.

Se ocorre algum problema logo procura um agrônomo para tentar salvar sua lavoura, ou um vizinho próximo, que já tenha vivido problema semelhante. Não se isola ou desanima, passa noites em claro buscando uma saída. Quando amanhece chega a acordar mais cedo para poder acompanhar de perto o trabalho de seus colonos. Visita todas as ruas que compõem seu cafezal como se estivesse anunciando: estou por perto, podem confiar.

Observa as folhas, se estiverem amareladas pode ser falta de água. Se as folhas começarem a cair pode ser que as cigarras estejam sugando suas raízes. Folhas pretas e queimadas indicam que a geada fez um grande estrago. Juntando pistas, analisando as evidências, decide que providências tomar. Coloca adubo, irriga o solo seco, afasta as pragas. Faz o que for preciso. Se não tiver recursos faz um empréstimo no banco, pois o que importa mesmo é ter uma boa safra.

Para ele não há dúvidas de que estas ações irão gerar bons frutos, mesmo que sua lavoura tenha sofrido com o mau tempo. Queimar tudo nem passa pela sua cabeça. Talvez tenha que arrancar os pés mais sofridos, que não irão agüentar as dificuldades que vêm pela frente. Mas, este é com certeza seu último recurso, que faz com coração apertado. Felizmente são poucas as arrancas. O cuidado do agricultor garante o cultivo do maior número de pés de café, cuidado que começa desde a formação das primeiras mudas e permanece a cada nova florada.

Por que será então que os professores não tomam aula com os agricultores?