Matéria de Estudo
Reflexões
  Avaliando para planejar para alunos e professores
  Patrícia Cândido - Coordenadora do NIF - Mathema de São Paulo
Reflexão pessoal sobre qual a relação entre
avaliação e planejamento no âmbito do professor como planejador.

Acredito que ao pensar em planejamento o professor deve se perguntar:

  • Por onde começar?
  • Quem são meus alunos?
  • Desejam aprender? Resistem? São indiferentes?
  • Como vou conseguir criar um bom vínculo com eles?

Todo plano exige conhecer e saber mais sobre os alunos com os quais se vai estar durante um certo período. Ao professor cabe pensar sobre quais estratégias elaborar para conhecer seus alunos, seu repertório, de tal forma, que possa olha-los melhor e mais cuidadosamente.

Tendo as pistas do repertório dos seus alunos o professor poderá orientar seu trabalho, que já nasce cheio de desejos, expectativas, intenções, inquietações, inseguranças e saberes.

Esses saberes foram construídos a partir da história de vida de cada um, estão carregados das diferentes leituras e estudos de textos, experiências como professor e aluno, grupos de amigos e família, local onde viveu e aprendeu.

Nesse contato com os diferentes saberes e com a realidade da escola, o professor pode sofrer choques e querer desistir dos seus planos, ou melhor, dos seus sonhos e desejos.

Se desistir, ele terá como opção cumprir atividades em datas marcadas, mas se não desistir, poderá começar a planejar nos limites que a realidade lhe impõe, com a possibilidade de reconstruir o seu sonho.

Reconstruir o sonho é poder planejar as atividades com significado para os seus alunos, levando em consideração conteúdos da matéria, do sujeito e as relações do grupo. Dessa forma, não existe planejamento sem avaliação, é somente a partir dela que o professor pode planejar.

O planejamento organiza, orienta, delimita os caminhos a serem seguidos, mas sempre guiados pela avaliação feita do aluno, do professor, do espaço e do grupo. Ele ajuda o professor a ensinar e o aluno a aprender, mas nunca está pronto do começo ao fim.

O que ele contém são hipóteses de encaminhamentos, com objetivos especificados, atividades, espaço, tempo e material necessário.

Ao avaliar o produto conquistado a partir desses encaminhamentos, o professor deve refletir e pensar sobre o que foi adequado, o que precisa ser mudado e replanejar a sua ação.

Olhando para esse pequeno texto vejo, como diz Gimeno Sacristán “que apesar da avaliação ser uma exigência institucional, o modo de realiza-la e seu conteúdo ficam totalmente nas mãos do professor”.

No entanto, o professor não tem consciência de que mesmo em um âmbito fechado, como a escola, ele pode ter autonomia e tem para tomar decisões como as descritas anteriormente e até mesmo pensar sobre o que é que vale nota, o que é essencial, quando avaliar e outros.

Acredito que o uso que se fará da avaliação e do planejamento, e as relações que se possa estabelecer entre os dois estarão sempre fortemente ligados à formação do professor e a concepção de ensino – aprendizagem, que o professor deve sondar para conhecer o seu aluno – professor e auxilia-lo.

Só dá para pensar nesse tipo de plano quando tenho o modelo de avaliação formativa.

Referências bibliográficas Sacristán, J. Gimeno, Gómez, A. L. Pérez.
Compreender e transformar o ensino.
Porto Alegre: Artmed, 2000