
| A avaliação e o desejo de aprender | |
| Estela Milani Coordenadora da área de Matemática do Colégio Magno - SP | |
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Quanto vale?
Vale nota? O desejo de aprender e ensinar vale nota? Quanto vale? A cultura instalada na escola através das estruturas não favorece a reflexão-sobretudo sobre a avaliação. Horários, disciplinas, espaços e família entre outros contribuem para que não haja questionamentos. Os elaboradores de currículos, os pesquisadores estes sim, são curiosos e pensam. Pensam sobre a rotina da escola através de documentos, sem presencia-la. Pensam pelos professores que executam rotineiramente suas tarefas de dar aulas e corrigir provas que segundo Perrenoud consome a maior parte do tempo de professor. A casa do saber se tornou casa da passividade, da falta de interesse pelos assuntos que dizem respeito ao professor e aos seus alunos. O conhecimento pronto parece bastar e bloquear as indagações. A nota basta, é suficiente para expressar tudo que a escola faz. É tão simples tão fácil! Satisfaz a família, a escola, o professor e a sociedade embora não reflita as competências pessoais dos alunos. A história parece complicar-se a cada passo que se avança na reflexão. Nota e desejo de aprender parecem estar em razões inversas. E por onde anda o desejo de aprender do aluno? E o desejo de ensinar e aprender professor? Onde estão? Certamente não estão na relação utilitarista com o saber, denotada no desejo do aluno tirar notas para passar de ano. Não se trata de crítica e sim de questionamento. Questionamento sobre as razões da falta de reflexão, da falta de interesse demonstrada por professores e alunos sobre o conhecimento e a sua relação com a avaliação. Perrenoud parece acreditar que o sistema clássico de avaliação força os professores a preferir os conhecimentos isoláveis às competências de alto nível (raciocínio, comunicação) e que rompimento das amarras da avaliação tradicional facilitará a transformação das práticas de ensino. Esse é o desafio. Romper as amarras, buscar pistas que possam tornar a avaliação mais significativa, mais produtiva, focada na aprendizagem sem desconsiderar a história de cada um, alunos e professores. |
| Referências bibliográficas |
Abrantes, Paulo. Perrenoud, Philippe. Smole, Kátia C. S. |