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A avaliação quantitativa
tem tantas vantagens, vigorou até agora tão solidamente,
para que mudar?
É saudável e cumpre com os seus propósitos:
informando ao aluno, às famílias e aos professores
algo que parece tão concreto geralmente, um número
de zero a dez, tão simples, onde qualquer ser humano,
mesmo não alfabetizado, consegue efetuar comparações.
Diga para um pai: Seu filho ficou com média 5.
Ele vai entender que o filho conseguiu ficar no meio, não
foi terrível, nem aplaudível. Dependendo do nível
de exigência do pai ele irá cobrar mais do filho,
ou irá se contentar. Se o professor informar aos pais
que a média das notas da classe do filho foi 5,4, a essa
informação, teremos muitas outras mais. Percebem
quantas coisas há por trás da nota? Não
parece coerente?
E para os professores, então, não há nada
mais objetivo que trabalhar com notas. Não é necessário
nem saber qual é a cara do aluno, a nota dá uma
posição, se o aluno estudou, prestou atenção
e entendeu o que o professor falou, pois durante a prova ele,
o professor fica atento, observando quem está tentando
colar, quem não responde nada, está de acordo com
a postura de aluno, então é zero. Há muitas
coisas que não são honestas, não estão
de acordo com a postura de aluno, então é zero.
Há muitas coisas que os números informam e é
por isso que os professores informam usando os números
é tão óbvio!!
Só quem leva a sério a aprendizagem do aluno, conhece
a cara de cada um deles, observa o desenvolvimento de cada um
deles enxerga que a nota não informa, mas nivela. Há
muitos professores assim? Não são assim porque
não querem? Nem todos. Enquanto não houver uma
política de desenvolvimento profissional dos professores,
eles ditam a política. Há justificativas para o
trabalho com o ensino e com a avaliação tradicional.
No ano em que comecei a lecionar, tinha uma média de 32
aulas, por trabalhar com as disciplinas de matemática,
matemática financeira e estatística, tinha 14 salas
com uma média de 45 alunos por sala 14 ´ 45 = 630
carinhas diferentes para conhecer em 6 meses. Acho que não
é preciso dizer que corrigir tantas provas era muito difícil,
mas era o esforço máximo que eu podia dar conta.
A nota, além de ser algo institucionalizado, era dado
para a escola, para o aluno, para os pais e para mim. Acho que
não tem justificativa para eu ter trabalhado assim, mas
eu precisava de experiência, de currículo, de dinheiro.
Hoje, fico sem dinheiro, mas mantenho as minhas 10 aulas semanais
e meus 51 alunos lindos. Para mim, agora, é fácil
entender que a avaliação formativa é o ideal.
Parece impossível mudar a avaliação, dá
para enumerar em itens:
- Resistência dos professores,
dos pais, da escola,
- Os
alunos já estão habituados,
- É uma cultura escolar solidificada, institucionalizada...
etc, etc.
Para que a escola mude, há que se
pensar no desenvolvimento profissional dos professores (formação,
condições de trabalho, desenvolvimento organizacional).
Essas duas coisas vão acontecer concomitantemente.
Não é por decreto que teremos uma mudança
na avaliação, a avaliação formativa
precisa entrar na escola por outros meios que passem pela reflexão
dos professores, pelo aval dos coordenadores e diretores, pela
conscientização dos pais, nessa ordem.
Entendo que a avaliação formativa não deve
ser apresentada aos professores. Antes disso, através
de algum mecanismo de sensibilização desses profissionais,
estes precisam perceber que a avaliação que está
aí não contribui para a aprendizagem e por isso
não é adequada. Daí partirem, aos poucos,
em direção à avaliação formativa. |