Matéria de Estudo
Reflexões
  Compartilhar conquistas: cerne do portfólio
  Cláudia Cavalcanti Pereira

É comum encontrarmos professores frustrados em seus esforços para avaliar e comunicar a seus alunos informações sobre o progresso alcançado. Muitos questionam o sistema de medição e classificação que os obriga a dizer informações sobre os alunos, ao invés de compartilhá-las com eles. Por outro lado, alguns professores vivem a imperiosa urgência de ampliar ou elencar descrições sobre o processo de aprendizagem e sua evolução.

Afinal de contas avaliar para quê? Para quem? Todas as vezes que falamos de avaliação esbarramos nessas questões.

Atualmente muito tem sido dito sobre a necessidade de colocarmos nossos alunos num processo de auto-regulação no qual seriam autores da própria aprendizagem. Em que se traduz essa vontade? Como avaliar sem nos atermos apenas em forma quantitativas de medição para documentar o que sabem nossos alunos em uma área específica? Faltam à maioria das análises quantitativas elementos qualitativos sobre o que sabe e o que não sabe nosso aluno. Por outro lado, sabemos também que a confiabilidade de um processo de avaliação se estabelece a partir da presença de múltiplas fontes de entrada de informação e sua validez baseia-se no desempenho daquele que as realizou.

Diante deste quadro convém analisar o uso de portfólios como elemento importante no processo de avaliação por fornecer dados qualitativos preciosos. É instrumento que pode proporcionar uma imagem rica e bem definida no tempo e no espaço; o que, quando, como os alunos demonstraram sua aprendizagem. Junto a isso, fornece dados formativos que permitem planejar as próximas intervenções pensando em futuras aprendizagens. O uso de portfólios atribui outro significado ao grupo de professores, aos próprios alunos, à comunidade escolar e aos pais, distintos daquele gerado pelos métodos estandardizados.

O processo de avaliação passa a ter o professor e o aluno como aliados em busca do melhor desempenho futuro. O conhecimento do passado vem para abrir portas e não para fechá-las quando ignora-se o caminho que há por vir.

A atribuição dessas possibilidades ao portfólio se dá através de suas características e da forma como encara-se a avaliação nesse processo. Para tanto, ela deve:

  • Ser autentica e válida.
  • Incluir o aluno em sua totalidade.
  • Compreender a observação de aspectos afetivos, sociais, cognitivos e culturais.
  • Ocorrer num período determinado de tempo.
  • Comportar diversos recursos para tomada de informação sobre o desempenho dos alunos.
  • Contemplar a possibilidade de estabelecer um diálogo entre alunos e professores, entre os diversos professores de um mesmo aluno, entre professores e pais, e alunos e pais.

O portfólio reaparece nas discussões sobre avaliação formativa como elemento que evidencia a construção de significados de cada aluno, seu percurso, sua compreensão real abrindo espaço para que o docente entre em contato e dialogue com que o aluno sabe.